FOMOS AO FESTA

Festa_Ovar2016
Os 3 manos na sua primeira experiência de misturas de Som & Luz

Em OVAR havia FESTA (3ª edição). E nós que adoramos festa – Festival Internacional de Artes de Rua – não podíamos desperdiçar esta oportunidade totalmente gratuita, com uma programação muito interessante. Assim, depois de consolados os miúdos num programa de piscina durante a manhã, aproveitámos o sábado de brisa fresca na cidade e deixámos-nos deambular, pelas ruas de Ovar, entre música, oficinas, performances e instalações artísticas. Surpreendeu-me não ver tanto público como a programação merecia…talvez pelo fim da tarde e noite aparecessem mais pessoas…
De destacar a instalação performance da Circolando. Muito interpelativa para pequenos e graúdos!
Festa_Ovar2016_6Três instalações e três performances constituem ÁGUA – o mais recente trabalho da circolando – abordagem muito provocadora que entre outros aspectos distribuiu água da sanita, borrifa-se literalmente para nós e convidara-nos a celebrar (ironicamente) a destruição da terra pelo homem…Festa_Ovar2016_4O incrível mundo das criações da Companhia Circolando com o seu mais recente projeto (instalação e performance/teatro): ÁGUA.Festa_Ovar2016_3Festa_Ovar2016_2A curiosidade deteve-os por mais tempo, espreitando a diversidade com a Ciência à Solta na cidade | Oficinas do Mundo Científico.Festa_Ovar2016_5Muito mais interessante e desafiante que jogos eletrónicos, tablets, Fifas e Cartoons Networks foram os jogos interativos das caixas mágicas com as histórias das “Viagens do Senyor Tonet (ES).Festa_Ovar2016_7A curiosidade levou-os de jogo em jogo até à conquista final: espreitar a história que cada caixa guardava!

MOMENTOS DE AQUI

Parece que já foi tão longe no tempo e ainda faz sul dentro de nós. A luz intensa, o areal por inaugurar nas manhãs quentes, as gaivotas a sobrevoarem as nossas toalhas e o infinito azul em diante. Mergulhos e mais mergulhos. As grutas, as escadarias, as chaminés sem fumo. A bola de berlim e a sombra da arriba. O jogo da carica e as sopas de letras. Abrirmos os olhos debaixo de água, no passatempo da duração, e guardar essa visão imensa.
O sal saiu com o duche, mas o sul ficou e permanece dessa semana a cinco.
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É como se criássemos uma história para a nossa própria vida. “Essa nossa vida que é a única e milacurosa fonte de acontecência. Se existe viagem é esta: percorrer as diferentes fabulações de nós mesmos, contar essas maravilhações aos outros. E confessar, sem vergonha pública: olhe, eu estou sendo este. Mas já fui uns que morreram. Quem sabe serei quem, depois deste mim?”
Mia Couto
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A LIÇÃO

Ultimamente este blog mais parece um arquivo com selecção de leituras. Hei-de regressar com mais vontade à escrita, para registar do dia-a-dia tantas vezes previsível e chato, o fulgor que ajuda a viver mais e melhor. Por enquanto reduzo-me a dar espaço e a partilhar o que escreve quem tão bem consegue traduzir o que me fica na intenção…
Esta é uma lição que quero partilhar também com os meus filhos, “A nova parábola dos talentos”.

“A nova parábola dos talentos

Mesmo os cépticos militantes e os cínicos mais incorrigíveis sabem que nestes momentos há uma matemática infalível: a da confiança que gera sempre mais confiança. Foi essa a lição de Fernando Santos.

E agora, que já todos conseguimos dormir umas horas seguidas, e os 23 rapazes mais o seu Mister também já voltaram a pousar a cabeça nas suas almofadas, depois de tocarem o céu e atravessarem oceanos de multidões dentro e fora dos estádios, agora sim, estamos em condições de retomar certas rotinas com mais alegria e confiança.

A vitória da Selecção não resolve nenhum dos nossos problemas, é certo, mas ajuda-nos a viver. Nem sabemos exactamente de que forma nos ajuda a enfrentar a vida, só sabemos que esta grande vitória nos resgata para o dia-a-dia tantas vezes previsível e chato. Faz-nos mais leves e torna-nos mais unidos, mesmo que a união seja efémera, e ao fim do dia cada um vá para seu lado. Acredito que hoje todos voltamos a ser quem éramos, excepto na alegria. E numa certa leveza.

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Falo do alívio que resulta de não termos perdido perante adversários tão arrogantes e territoriais como os franceses. É impossível ser insensível à absurda presunção de superioridade de comentadores obliterados pelos nervos das vésperas da grande final. O alívio também nasce da certeza de que a vida nem sempre é justa e raras vezes evolui numa lógica de merecimento. Merecíamos ganhar, mas podia não ter acontecido. A bola podia não ter batido na trave. Mais, podíamos ter quebrado quando Payet tentou e conseguiu derrubar Ronaldo. Podíamos ter ficado derrotados logo ali, podíamos ter-nos revoltado, redobrado a agressividade ou, até, termos ficado para sempre desorganizados. Aquilo que aparentemente nos fragilizaria, foi o que nos tornou mais fortes.

Sei, e sabemos todos, de equipas inteiras que não teriam sobrevivido a uma baixa tão colossal como a saída do Cristiano Ronaldo, a pouco mais de vinte minutos de jogo. O alívio que gera leveza, emoções transbordantes e certezas crescentes é este mesmo, de sabermos tudo o que nos podia ter acontecido por sucessivos cúmulos de azar, mas felizmente não aconteceu. Tudo graças a uma incrível união que gerou uma incrível força. E, claro, porque felizmente o Éder estava lá e tinha a crença de que faria o golo. E tal como disse Pepe, ‘man of the match’, na sua entrevista final: “Deus só dá grandes batalhas aos grandes soldados”.

A Taça é nossa e foi inteiramente merecida. Desejada e sonhada, foi ganha com lucidez e garra, esforço e sacrifício, inteligência e humildade. Nunca será demais sublinhar a humildade inteligente dos jogadores e do Selecionador, aliás. A mim enche-me de orgulho esta atitude de uns e outros, pois detestaria torcer por uma selecção que não soubesse estar à altura dos acontecimentos. Custa sempre ver uma falta grave não assinalada, especialmente quando arruma com um grande jogador prévia e oficialmente proclamado como ‘alvo a abater’. Mas custar-me-ia ainda mais se os nossos jogadores tivessem optado por retaliar, se tivessem desatado a jogar numa lógica ‘olho-por-olho’ ou tivessem perdido a cabeça, pois na verdade perderam o seu maior general na batalha mais decisiva da campanha.

Gosto de gente de coração inteligente. Nunca ninguém nos pediu nem pedirá para sermos bons e parvos, muito pelo contrário! Do outro lado do campo havia jogadores apostados em derrubar a qualquer preço, mas deste lado todos se aguentaram nos embates e todos tiveram tamanho para os adversários. Dá gosto perceber a estatura moral dos homens, quando são postos à prova. E Ronaldo foi atingido no joelho mas não na alma. Assim como Éder, o novo herói galáctico, também não se deixou vencer por comentários daninhos e alcunhas feias. Ou Fernando Santos não perdeu o nervo nem deixou de defender cada um dos seus jogadores do primeiro ao último dia. E por aí adiante, porque cada jogador deu realmente o seu melhor e foi isso que festejamos torrencialmente na noite de domingo, foi isso que continuamos a celebrar massivamente durante todo o dia de ontem e é isso que mantém o nosso coração em festa hoje.

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Fernando Santos impressiona pela fortaleza de carácter e pela convicção de aço. Lúcido e discernido, manteve a palavra até ao fim. Livre, muito livre na sua fé, não desperdiçou nem um segundo a disparar argumentos ou tácticas contra trincheiras inimigas. Fez o seu silêncio interior diário de reflexão, oração e comunhão para poder focar no seu círculo (ou perímetro, como tanto gostam de dizer os comentadores desportivos), mantendo-se firme na aposta de multiplicar os talentos dos homens que escolheu. Assim como o fiel jardineiro dobra os joelhos sobre a terra para a cuidar e adubar, também Fernando Santos cultivou pacientemente nos seus rapazes a confiança, a coesão e a união.

Presumo que mesmo os cépticos militantes e os cínicos mais incorrigíveis sabem que nestes momentos há uma matemática infalível: a da confiança que gera sempre mais confiança. Foi essa a lição de Fernando Santos, o homem que sabe que o fundamental não é cada homem acreditar em Deus, mas cair na conta de que Deus acredita em cada homem. Santos esforçou-se por traduzir esta verdade bíblica à letra e conseguiu. Não fingiu ser Deus, mas agiu à maneira de Deus: acreditou profunda e radicalmente em cada um dos seus eleitos. E transformou o tempo do Europeu num tempo de oportunidades. Sem queixas nem lamentos, sem acusações nem censuras, juntou as pedras que outros foram atirando e colocou-as longe do caminho.

O tempo do Europeu não era apenas um tempo de competição e rivalidades. Fernando Santos sabia isso e agiu em conformidade. Tratava-se de trabalhar muitas outras coisas ao mesmo tempo na equipa, mas também nos portugueses: projectar confiança, trabalhar a competência, conter os excessos da agressividade, combater o negativismo, elevar o moral de uma nação inteira, reforçar a união e … fazer a força. Na terminologia cristã, tão cara a Fernando Santos, este tempo serviu para juntar pedras e fazê-las desaparecer, pois foram lançadas pedras suficientes e este era, para ele, o tempo de nos aproximarmos, de criarmos união e proximidade.

Numa era de excessos e provocações, num mundo de “irracionalismo, relativismo pós-modernista e fundamentalismo religioso”, para usar as palavras de Bento XVI, na célebre conferência de Regensburg, não é fácil ser cristão e começar um discurso final, transmitido à escala planetária, por agradecer a Deus. Fernando Santos começou e acabou a falar de um Deus que lhe pede para pôr os seus talentos a render ao serviço dos outros, mas também para multiplicar os talentos dos que estão à sua volta. E deu a entender que é a centralidade de Deus na sua vida que gera nele a urgência de fazer mais e melhor. A sua missão foi conduzir a Selecção (e todos os portugueses!) à vitória, mas não se esgota aqui. Fernando Santos trouxe muito mais que uma Taça para casa. Encheu-nos de certezas sobre as nossas capacidades, fez-nos transbordar de emoção e orgulho, mas também nos deixa agora a responsabilidade individual de não deixarmos que outros nos derrubem. Ou pior, que nos tornem duros como pedras por frustrações, desavenças, desilusões mútuas ou ofensas não perdoadas.

O rastilho da alegria que explodiu no domingo e mantém o país em festa desde o fabuloso petardo de Éder, não se pode apagar. Cabe a cada um de nós tentar manter a chama acesa, pois graças a esta vitória milhões de portugueses espalhados pelo mundo acordam e adormecem mais felizes e, acima de tudo, mais confiantes nas suas capacidades. E muitos milhares de emigrantes chegam aos seus empregos mais orgulhosos da sua identidade.

No final da campanha, podemos dizer deste Fernando o que o seu homónimo poeta escreveu na Mensagem:

Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma”

Texto de Laurinda Alves publicado no Observador de 12/7/2016

Fotos da galeria do DN

Complaining about the system

O artigo que o Seth me envia esta manhã, cai que nem uma luva nos últimos meses dos nossos dias e ao sentimento DE CRÍTICA AO SISTEMA que vamos ouvindo nos vários sistemas onde nos movemos. Refiro-me ao sistema escola, ao sistema paróquia, às organizações onde trabalhamos e ao sistema associativismo que vamos acompanhando de perto.

“If we care enough, we can make it change”: sim é verdade! Entre nós, porém, a questão coloca-se neste momento a três níveis:

1.em alguns casos, se ainda estamos disponíveis para TENTAR MUDAR e ser AGENTE DE MUDANÇA (porque já fizemos bastante);

2.noutros casos, se já estamos disponíveis para TENTAR MUDAR (porque não nos afeta o suficiente para nos mobilizar);

3. na maioria dos casos começamos a sentir que  VALE A PENA MUDAR e investir tempo, conhecimento e amor, mas naquele sistema que DEPENDE EM GRANDE PARTE DE NÓS – A FAMÍLIA;

“The problem with complaining about the system

…is that the system can’t hear you. Only people can.

And the problem is that people in the system are too often swayed to believe that they have no power over the system, that they are merely victims of it, pawns, cogs in a machine bigger than themselves.

Alas, when the system can’t hear you, and those who can believe they have no power, nothing improves.

Systems don’t mistreat us, misrepresent us, waste our resources, govern poorly, support an unfair status quo and generally screw things up–people do.

If we care enough, we can make it change.”

O dia dela – 16 de junho

Hoje, a minha querida e doce irmã Sofia faz anos. 29 anos. Uma data que celebra cheia de graça porque aguarda a sua segunda filhota. Ela e nós, ansiosamente.
Como ontem e antes de ontem, há alguns anos neste mesmo dia, há um imenso oceano e várias milhas a impedir o abraço apertadinho. Mas hoje, tal como há 29 anos, há todo um universo que conspira a nosso favor para contrariarmos essa distância física. Hoje ela já não tem nada do bebé cabeludo e estranho que chegava da maternidade para me obrigar a partilhar o tempo, o espaço e a família que foi toda por minha conta ao longo de oito anos de filha única. E nem da irmã mais nova chata que ía estragando as minhas brincadeiras de pré adolescente. Muito menos da sortuda da irmã mais nova adolescente a quem os pais facilitaram tanto a vida e as saídas e as borgas e até se fartaram de acompanhar na adolescência de jovem desportista e bailarina. Nos últimos anos foi como se, apesar de vivermos quase sempre distantes e com ela a saltitar de aventura em aventura profissional, dou por nós a aprofundarmos a irmandade de sangue que sempre existiu, talvez pela diferença de idades, muito pelas implicações dessa diferença e de eu ter saído de casa aos 18 anos (quando ela tinha 10) para nunca mais voltar a sério a viver em casa, no velho quarto do sótão que ela passou a ocupar.
Nos últimos 5 anos, em continentes difernetes, ficámos mais próximas do que nunca antes tínhamos sido. Não é Sofia?

A idade adulta aproximou-nos. Começámos a ter em comum os filhos, as nossas vidas começaram ter conteúdos semelhantes e tudo isso revolucionou a nossa forma de sermos irmãs. Eu sinto. E sinto-te muito mais minha irmã desde que somos ambas mães. A única permanência é o amor, SEMPRE TE AMEI INCONDICIONALMENTE, mesmo quando não sabia que era tanto e tão forte este amor.

PARABÉNS SOFIA. . .
Como tens crescido mana… e como é bom saber que no teu projeto de vida a palavra irmãs vai continuar a existir a partir de ti…nas tuas filhas.
“Eles crescem a meias connosco e por isso acabam por ficar mais ou menos nós.” SERÁ?
A nossa sorte é que vamos continuar a ser irmãs até ao fim. Hoje, 16 de junho de 2016, as felicidades seguem dos cinco cá de casa para a irmã e tia especial que és.


Manas2015

Queria escrever-te algo bonito, mas ando sem inspiração nenhuma para colocar a escrita em dia. Acho que este texto poderá ser uma boa lembrança do que também somos e temos como património e do que estamos a proporcionar de hipóteses aos nosso filhos. Guarda-o,  um dia gostarás de o passar à Calícia e à sua mana. Não?

“Só se percebe verdadeiramente a importância das coisas ou das pessoas quando as perdemos. Quando as consideramos tão garantidas como o ar que respiramos, nem pensamos no seu valor. Não fazemos contas, assim como um milionário não faz contas para ir à mercearia nem sabe as oscilações do preço da bica. Com os irmãos é assim que as coisas funcionam. E é por isso que funcionam tão bem.

Nós não sabemos quanto vale um irmão. Nem pensamos nisso. Pensamos todos os dias no valor incomensurável dos filhos e dos pais, sabemos o quanto vale cada amigo, mas não contabilizamos os irmãos. É diferente com eles. É diferente porque os irmãos são de graça. Eles caem-nos ao colo sem planeamento, sem poder de escolha, sem pensarmos nisso. Também é diferente porque nós crescemos com eles e crescemos juntos em tudo. Começamos desde pequeninos a lutar, a brincar, a discutir, a partilhar a casa de banho, o quarto, as meias, os jogos, os pais e os outros irmãos. Eles crescem a meias connosco e por isso acabam por ficar mais ou menos nós.

E é por isso que os irmãos nos conhecem melhor que os nossos pais ou amigos. Conhecem-nos os tiques, as fraquezas, os gostos e as sensibilidades; sabem o que quer dizer cada expressão nossa, aquilo que nos faz chorar e os limites da nossa tolerância. Também sabem que podem ultrapassar todos esses limites porque nada acontece, porque não há divórcios de irmãos. Os irmãos não prometem amar-se na saúde e na doença até que a morte os separe. Não precisam: quer prometam quer não, quer queiram quer não, é mesmo assim que vão viver.

Em todas as outras relações é preciso tempo. É preciso guardar tempo e ter tempo para estreitar laços, criar cumplicidades, ganhar confiança ou aprofundar as relações. Mas os irmãos não precisam de tempo. Nós gostamos dos nossos irmãos o mesmo que sempre gostámos apesar do tempo. Nem mais nem menos um bocadinho que seja. Podemos passar anos sem nos falar que não é por isso que as cumplicidades, os laços, a confiança (muita ou pouca) se esvanece. Os irmãos são imunes ao tempo, à distância ou às zangas e isso torna-os à prova de tudo.

Com os irmãos, ao contrário do que acontece com todas as outras pessoas, também não precisamos de falar: basta estar. Se falarmos e rirmos uns com os outros, melhor, é uma espécie de bónus; se discutirmos, melhor ainda: quer dizer que podemos, quer dizer que somos tão irmãos que até podemos discutir violentamente e continuar a ser irmãos. Até ao fim.

Eu tenho a suprema sorte de ter oito irmãos. Ter oito irmãos quer dizer ter oito melhores amigos, quer dizer ter oito pessoas que se atiravam a um poço para me salvar (espero…) e oito pessoas a gostar incondicionalmente de mim ao mesmo tempo. Já perdi dois deles, o mais velho e o mais novo. Perdi-os numa idade em que não se perdem irmãos e eles morreram estupidamente numa idade em que não é suposto morrer. Não foi quando eles partiram que eu tive consciência do valor de cada um deles, mas foi quando eles morreram que eu percebi que esse valor é incomensurável, que quando morre um irmão morre um bocadinho de nós. Percebi que há uma parte de nós que é só deles e essa parte desaparece com eles.

Sei perfeitamente que o melhor presente que dei aos meus filhos foi cinco irmãos a cada um, mas também sei que eles ainda não fazem ideia do valor de cada irmão. Por enquanto discutem mais do que aquilo que brincam, dividem mais do que aquilo que partilham e desconfio que teriam escolhido um cão e uma viagem à Eurodisney a um bebé novo, caso eu lhes tivesse dado a escolher. Mas os silêncios entre eles são cada vez mais frequentes e os silêncios entre irmãos são tudo.

O Dia dos Irmãos, que a Associação das Família Numerosas propôs que se passe a comemorar no próximo ano, é para celebrar tudo isto e é necessário comemorar tudo isto. Não é que os irmãos precisem de um dia, porque não precisam, é apenas por o merecerem. Os meus, pelo menos, mereciam um dia para cada um.”

Texto da Inês Teotónio Pereira, publicado no blog http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt/ a 11.06.2014